Nos últimos anos o  impacto da economia criativa no Brasil ganhou espaço na pauta dos debates sobre o desenvolvimento. O que é uma realidade em países europeus, onde a indústria da música, do cinema e das artes plásticas geram impactos significativos no PIB não só com o potencial de geração de empregos e fomento direto à economia influenciados diretamente pela produção cultural, mas também por desenvolver o potencial turístico e promover inclusão social. Aqui no Brasil iniciativas começam a despontar, estados e municípios cada vez mais atentos ao potencial da economia criativa passam a incentivar políticas públicas de mecanismos de incentivo e fomento a atividade cultural.

E neste cenário, Curitiba, por meio da sua Fundação Cultural vem ao longo dos anos trabalhando no incentivo à produção local, e passa também a, com o apoio de entidades parceiras do setor público e privado, promover iniciativas que exponham o potencial da economia criativa do município, dando suporte a profissionais e empresas, fomentando possibilidades de trabalho de produtores culturais em suas diferentes áreas de atuação. Aos poucos a cidade, que já é vitrine para o Brasil em tantas áreas, como o teatro, passa a despontar como um polo qualificado de desenvolvimento cultural, atraindo novos investimentos públicos e privados, por meio de mecanismos de incentivo e promoção da atividade.

A cultura é o segmento que mais cresce, em média 15% ao ano, segundo informações da Fundação Cultural de Curitiba. Incentivar o desenvolvimento desta atividade, a profissionalização de seus interlocutores, e possibilitar a população o acesso a diferentes manifestações artísticas, possibilitando a formação de público em diferentes linguagens e o aprimoramento da formação crítica da comunidade, sem dúvida é um efeito em cadeia que gera consciência crítica, educa e forma cidadãos.

Quando se pensa em toda a cadeia de profissionais envolvidos em uma produção cultural, fornecedores e agentes do segmento, vemos o quanto Curitiba se destaca frente a outras capitais brasileiras. Pois não é difícil de ouvir que aqui temos produtores de ótima qualidade, mas ainda carecemos de aprimoramento de gestão de carreira e mais conhecimento sobre as possibilidades de financiamento, manutenção e desenvolvimento da atividade artística.

Em meio a tantas iniciativas de articulação de movimentos empreendedores, quem sabe não seria o momento para que os artistas e produtores culturais de Curitiba, aproveitassem todo o seu potencial e se articulassem em um movimento colaborativo para potencializar negócios entre suas habilidades e competências, troquem experiências. Uma organização para uma articulação de políticas públicas em prol do desenvolvimento da atividade cultural e artística.

Tantas outras atividades econômicas e profissionais são organizadas e articuladas, nós enquanto formadores de opinião, disseminadores de cultura, podemos muito bem construir um novo momento para o desenvolvimento de uma atividade econômica limpa, de valor humano e social tão importantes para a construção de um novo momento da nossa sociedade. Se queremos um novo momento para o nosso país, este novo momento tem que começar dentro de casa, nas ruas, nos bairros, em nossa cidade. Fortalecer a cultura é gerar emprego e empreender, e isso faz parte de economia criativa.

Heloisa Garrett.